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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Pagu e as mulheres bombas



  • Pagu e as mulheres bombas


    Nesta canção, a compositora Rita Lee, resume a saga de Pagu que era uma verdadeira mulher bomba numa época de abre caminho para a mulher moderna no inicio do século XX.

    Elis deu alma interpretando Pagu. Maria Rita transmite os genes da musicalidade materna e eis aí a cara das novas Pagus. As que incendeiam o inconsciente do século XXI.

    Infelizmente aquelas que se auto detonam metaforicamente acabam sendo vitimas do feminicidio nos tempos atuais. Assassinatos de mulheres ocorrem no cotidiano como se fossem resultado de caça às  bruxas pois a mulher se constitui com sua postura desafiante de igualdade um verdadeiro barril de pólvora.

    A violência contra as mulheres acontece até com os chamados homens públicos  que chegam a dar socos e pontapés em suas companheiras ou ex e depois vem para a televisão  justificar que foi apenas "um momento de desequilibrio". Mas se esquecem de cometem crime. Homens que pensam estar acima do bem e do mal. Tentam abafar a repercussão dos seus atos para não perderem prestígio e voto.

    À  Luz da psicologia , na loucura do drama social que é  a tentativa de desvalorização do papel feminino através de conceitos machistas, um imenso contingente de criaturas se defende como pode da intolerância.

    A Pagu Paulista, escritora e jornalista, desafiou costumes e marcou a primeira metade do século XX.

    Somos Pagus de agora. Não dá para fechar os olhos à discriminação que persiste com violência contra a mulher.  Seguiremos cantando, amando e explodindo nossas auto afirmações.

    Estilhaços respingam dor e sangue mas impossível desistir da luta. Mulherada unida para sobreviver e mostrar sua garra. As que tombam nessa guerra são mais motivos para que lutemos continuamente. Enquanto houver Pagus nossa luta continua. Somos um exército de Marias com direito a voto e respeito. Quem nos ofende, nos agride ou pensa que nos mata, nem imagina que brotamos todas as manhãs  para honrar as companheiras vítimas  de machismo  e agressividade.

    Também sou Pagu. Todas podemos ser. Somos mulheres que tem coragem de impor a própria liberdade. Pena que existam aquelas que ainda se deixam aprisionar por ideologias radicais e se tornam terroristas na vida real. Seu percentual é pequeno. A grande maioria das mulheres padece a opressão e enfrenta como pode a perseguição.

    Malala,  a jovem paquistanesa ganhadora do prêmio Nobel da Paz representa as Pagus de agora.

    Somos todas Pagu e Malala. Somos todas chamuscadas pelas fogueiras que queimaram nossas antepassadas e pelos tiros que abateram e ainda ferem ou matam muitas de nós. Seguimos assim. Guerreando com armas de feiticeiras além  de amarmos com Almas doces e corações  maternos.
    Cida Torneros

    História de Pagu

    Por Taciana Aparecida Rodrigues
    Escritora, jornalista e uma das grandes mulheres do movimento modernista brasileiro, essa foi Patrícia Rehder Galvão. Ganhou do poeta Raul Bopp o apelido Pagu, que se enganou pensando que seu nome era Patrícia Goulart e fez uma brincadeira com as iníciais. Bopp escreveu um poema para a então Zazá (apelido de Patrícia Galvão na infância) “O coco de Pagu”, e o apelido ficou.
    Nascida em São João da Boa Vista em 9 de junho de 1910, Pagu mudou-se para a capital em 1912, aos 2 anos. Morou na Liberdade, no Brás, na Aclimação, na Bela Vista e em uma chácara no então município de Santo Amaro. Depois de breves períodos no Rio de Janeiro e em Paris, para fugir da repressão, encontrou sossego em Santos, onde morreu em decorrência de um câncer. Por conta da doença, Patrícia tenta suicídio, o que não se consuma. Sobre o episódio, ela escreveu no panfleto "Verdade e Liberdade": "Uma bala ficou para trás, entre gazes e lembranças estraçalhadas".
    Diferente das moças de sua época, Pagu usava blusas transparentes, fumava na rua e dizia palavrões. Com 15 anos, passa a colaborar no Brás Jornal, assinando Patsy.
    Apresentada aos artistas Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, Pagu aos 18 anos se integra ao movimento antropofágico, de cunho modernista. Após 2 anos casa-se com Oswald e tem seu primeiro filho, Rudá de Andrade. E então junto ao seu marido inicia na vida política, tornando-se militante do Partido Comunista.
    Jovem, bonita e burguesa, Patricía Galvão não necessitava de lutar pelos direitos da sua classe que era a mais favorecida, porém resolveu lutar por aquilo que acreditava. Aos 20 anos incendiou o bairro do Cambuci em protesto contra o governo provisório. Comanda uma greve de estivadores em Santos, e é presa pela primeira vez, das 23 que ainda iriam ocorrer, tornando-se a primeira mulher presa no Brasil por motivos políticos. Nesse mesmo dia perde um amigo estivador, morto em seus braços pela polícia.
    Em 1933 publica o romance Parque Industrial, sob o pseudônimo de Mara Lobo, considerado o primeiro romance proletário brasileiro. Nesse mesmo ano partiu para uma viagem pelo mundo, quando estréia como repórter, deixando no Brasil o marido Oswald e seu filho.
    Em 1935 filiou-se ao PC na França, onde também fez cursos na Sorbonne, em Paris, lá é presa como comunista estrangeira, com identidade falsa, ia ser deportada para a Alemanha nazista, quando o embaixador brasileiro Souza Dantas conseguiu mandá-la de volta ao Brasil. Separa-se definitivamente de Oswald e então retoma a atividade jornalística, mas o passado não a deixa retornar tranquilamente, e é novamente presa e torturada pelas forças da Ditadura, ficando na cadeia por cinco anos.
    Desligou-se do PCB em 1940, assim que saiu da prisão. Adere ao trotskismo e incorpora à redação do jornal A Vanguarda Socialista, iniciando em 1946 a sua colaboração regular no Suplemento literário do Diário de S. Paulo. Em 1945 Patrícia casou-se com Geraldo Ferraz, jornalista da A Tribuna de Santos, cidade na qual passaram a viver. Nasce seu segundo filho, Geraldo Galvão Ferraz.
    Tenta sem sucesso, uma vaga de deputada estadual nas eleições de 1950. Em 1952 frequenta a Escola de Arte Dramática de São Paulo, levando seus espetáculos a Santos. É conhecida como grande animadora cultural e dedica-se em especial ao teatro, particularmente no incentivo a grupos amadores.
    Escreveu também contos policiais, sob o pseudônimo King Shelter, publicados originalmente na revista Detective, dirigida pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, e depois reunidos em Safra Macabra (Livraria José Olympio Editora, 1998).
    Em 2004 a catadora de papel Selma Morgana Sarti, em Santos, encontrou no lixo uma grande quantidade de fotos e documentos da escritora e do jornalista Geraldo Ferraz, seu último companheiro. Estes fazem parte hoje do arquivo da UNICAMP.
    Correspondente de vários jornais, Pagu visitou os Estados Unidos, o Japão e a China. Entrevistou Sigmund Freud e assistiu à coroação de Pu-Yi, o último imperador chinês. Foi por intermédio dele que Pagu conseguiu sementes de soja, enviadas ao Brasil e introduzidas na economia agrícola brasileira.
    Pagu é acometida de um câncer e viaja a Paris para se submeter a uma cirurgia, sem resultados positivos. Volta ao Brasil e morre em 12 de dezembro de 1962, em decorrência da doença. Na véspera de sua morte, um último texto seu é publicado, o poema "Nothing".
    “Nada mais do que nada
    Porque vocês querem que exista apenas o nada
    Pois existe o só nada”
    Trecho do poema Nothing.







Somos Pagus de agora. Não dá para fechar os olhos à discriminação que

Somos todas Pagu e Malala. Somos todas chamuscadas pelas fogueiras que queimaram nossas antepassadas e pelos tiros que abateram e ainda ferem ou matam muitas de nós. Seguimos assim. Guerreando com armas de feiticeiras além  de amarmos com Almas doces e corações  maternos.
Cida Torneros

História de Pagu




4 comentários:

  1. Hola, por casualidad tendría para mandarme vía scaner o foto digital alguno de los cuentos de Safra macabra. Es casi imposible encontrarlos en Argentina. Muchas gracias. Saludos, Paula

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    1. http://www.pagu.com.br/blog/obras-e-textos-pagu

      Paula tu puedes pedir en la editora. Besitos

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